domingo, 6 de julho de 2008

Te encontro no próximo quadro





















(Era para as imagens estarem lado a lado, mas esse blog não gosta do amor)

A fórmula não é nada inovadora, mas me agrada muito bem. O nome do marmanjo por ela responsável é Brent Lynch. Com ele, sofro do mesmo mal que já sofri em relação a Jack Vettriano: ele não tem referências em português no Google.

Talvez seja esse um dos motivos que me fez começar a estudar mais the language. Em uma breve olhada na biografia em inglês de Lynch, vi que o artista quando jovem gostava de futebol, de Shakespeare e do Bob Dylan.

Não me ajudou em nada. Eu queria que ele dissesse que usa às vezes a fórmula de emendar quadros porque as pessoas precisam se encontrar, mesmo em mundos diferentes.

Algo mais poético, não?

Ao invés disso, o artista cruza os braços e diz que busca uma dimensão espiritual para fazer sei lá o quê.

É fato: mais do que os próprios artistas, os apreciadores das obras são incompreensíveis.

Blogs, layouts e puxões de orelha

- Você poderia pôr um pouco mais de cor.

- Que diferença faz? Têm anos que eu não escrevo lá.

- Mas esse preto no cabeçalho me incomoda.

- É a cor que eu vejo quando eu fecho os olhos e durmo.


- Então você não sabe sonhar?

domingo, 8 de junho de 2008

Em busca de novidades

Segundo pesquisa da Associated Press, as pessoas procuram por notícias porque se sentem entediadas.

Fico pensando o tamanho do tédio que me fez parar no jornalismo - dentro dele, aliás.

sábado, 10 de maio de 2008

Todos os nomes de Isabella Nardoni

A cada vez que eu vejo o nome de Isabella na mídia, eu peço a Deus para que essa seja a última notícia sobre ela.

Hoje aconteceu a mesma coisa. Com a proximidade do dia das mães, lá estava a menininha na TV de novo. Não, não foi dessa vez que minhas preces foram atendidas. Talvez eu as renove amanhã, ou depois; ou perto do Dia dos Namorados, confiante de que ela ainda era muito novinha para ter um.

O fato é que hoje foi bom terem falado dela. Acabei lembrando de um livro do José Saramago, sobre o qual já foi postado um comentário neste blog.

O romance "Todos os nomes" fala da obsessão de um escriturário em buscar informações sobre uma mulher desconhecida. Sim, isso mesmo: em quase todo o livro, ela é assim definida, sem nome algum.

Isabella tem o seu nome. Nesse ponto, ela se afasta da personagem criada pelo escritor lusitano. Entretanto, se aproxima em outros aspectos. Como o fato de José, um homem que nada tinha a ver com a mulher desconhecida, passar a guiar sua vida em busca de saber quem ela era.

O nome de tal mulher chegou às mãos do escriturário em um documento qualquer. Aconteceu o mesmo com Isabella. A diferença é que o documento da primeira era de vida. Já da pequena que passa a todo instante na mídia, não é preciso comentar.

Coincidência ou não, na procura incansável feita por José, o escritor Saramago mostra a morte como um retrato inseparável da vida. Os motivos que a levam, segundo um dos personagens criado pelo lusitano, só poderiam ser compreendidos pela análise não dos últimos minutos, mas pelos diversos outros dias, meses e anos que o antecederam.

Infelizmente, isso pouco tem acontecido na investigação da morte de Isabella. O perfil dos pais da menina é construído com base em depoimentos alheios, pessoas que ouviram gritos e brigas pouco comprováveis e só. Não se percebe, entretanto, os quase sete anos anteriores em que, pelo que se supõe, nada semelhante aconteceu.

O resgate da lembrança de "Todos os nomes", em meio ao noticiário diário, vêm trazer uma nova forma de pensar os limites da vida e da morte. Para as estantes infinitas de arquivos da "Conservatória de Registro Civil" em que José trabalha, é proposta uma nova organização de todos os nomes. Segundo a visão do chefe do local, documentos de pessoas mortas e ainda vivas devem ficar juntos, não mais em estantes separadas. Trata-se de uma tentativa de tornar a morte mais aceitável e fazê-la ser menos observada pelos homens.

Se isso acontecesse nos dias atuais, Isabella teria muito menos espaço nos jornais e televisões brasileiras. Ela seria mais uma peça de um quebra-cabeça do qual todos fazemos parte. Com a reorganização dessa forma de pensar, teríamos muito mais notícias sobre quem ainda vive. E, querendo ou não, sobre quem ainda sofre.

...Ou sonha, caso seja permitido um final mais poético - e clichê - para este post.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Uma pausa para um slide



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Fiz esse slide numa aula de Webjornalismo. Embora acredite que ele fica um pouco distante da proposta desse blog, me vi tão contente por ter aprendido a fazer um que não resisto em colocar aqui. A frase de que todos vamos nos encontrar um dia é referência de um amigo, Mártin, "Sommerfreud".

Obs: Fica bem melhor com música, mas essa habilidade de inserir imagens + sons eu ainda não tenho. Recomendo, então, que você ligue seu Winamp, ou abra a Rádio Uol ou sites como o Musicovery... As fotografias, vale dar os devidos créditos, são da Folha Online.

Relembrando Central do Brasil

"Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar"

Poucas trilhas sonoras me emocionam tanto como a do filme Central do Brasil. Quem não se lembra da cena da Dora (Fernanda Montenegro) chorando, enquanto o pequeno Josué (Vinícius de Oliveira) corria atrás do ônibus em que ela partia?
Nesse momento, só se ouvem os sons do piano da trilha de Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum.

Hoje, ouvi novamente outra música do filme, em que aparece o trecho reproduzido acima. Chama-se "A Carta de Dora". Embora não aprecie a imensidão de blogs que possibilitam downloads (na maioria, só os downloads servem pra alguma coisa mesmo), deixo aqui a dica de um deles para quem quiser ouvir também de novo a belíssima trilha de Central do Brasil.

sábado, 19 de abril de 2008

Mantenham a tocha acesa

Uma tentativa bem-humorada de lembrar Fernando SabinoAcompanhando - pela televisão, é claro - a corrida da tocha olímpica, que chegou hoje à Tailândia sob forte esquema de segurança, lembrei de um livro do mineiro Fernando Sabino. Chama-se "A Nudez da Verdade”, e é um dos capítulos da obra “Aqui estamos todos nus”, uma trilogia de novelas do autor. Da ficção literária do marmanjo até a batalha para manter acesa a tocha existe uma distância considerável. Entretanto, os dois episódios tem semelhanças. Veja por quê:

- Até agora, o percurso da tocha apresentou problemas em Londres, Paris e São Francisco (EUA), conforme notícia da Folha Online. No caso da história de "A Nudez da Verdade", a trajetória de Telmo Proença, que corre nu pela cidade, é marcada também por várias confusões. Se hoje exista quem queira pegar na tocha, no livro de Sabino existia quem, vendo o moço correndo feito doido, quisesse pegar naquilo do rapaz;

- No caso das Olimpíadas, o motivo para tentar deter os atletas e apagar a chama olímpica que eles levam são os protestos pela política da China no Tibete. No livro de Sabino, a justificativa para o personagem ter de correr nu é a fuga de certas confusões amorosas. O motivo para detê-lo é evidente: o povo não aceita sua nudez. A relação entre a corrida da tocha e a corrida do homem nu pode estar expressa não só nessa luta pela liberdade, que é comum aos dois episódios; como também no fato de que existe uma grande aproximação entre problemas politícos e problemas amorosos. Vide o caso do governador de Nova York. Ops! Mas essa já é outra história... rs


De Bancoc, a tocha irá para Kuala Lumpur, capital da Malásia. Telmo Proença, o personagem de Sabino, ficou no Rio de Janeiro mesmo. Ele conseguiu completar a corrida. Será que a tocha também completará?

PS: Ok, esse post foi terrível, eu sei... rsrsrs